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sábado, 24 de dezembro de 2016

Modelagem e self-fashioning


Publicado pela primeira vez em 1980, o estudo de Stephen Greenblatt, Renaissance Self-Fashioning: From more to Shakespeare, foi uma grande contribuição para a concepção acerca do indivíduo Renascentista. Greenblatt, em seu estudo, se posiciona contra teorias que negam qualquer relação entre obra e vida social e também que esta última é livre de interpretação. Primeiramente ele trata a questão da autonomia na modelagem do indivíduo (em sua self-fashioning, como coloca) como uma falsa sensação de liberdade. Não há, propriamente, autonomia: ela é, na verdade, controlada por poderes maiores de influência como a família, o Estado e a Igreja. O poder de obrigar o indivíduo a modelar-se em certos padrões é uma questão de ter poder sobre a identidade, seja a própria ou a do outro.
O século XVI, no que diz respeito à identidade do indivíduo, é marcado por uma crescente autoconsciência da formação da identidade como um processo manipulável e artificioso. Há, no início dos tempos, uma mudança nas estruturas intelectuais, sociais, psicológicas e estéticas que governam a produção de identidades[1]. É também no século XVI que fashion passa a ser uma palavra de grande circulação e começa a ser usada como um modo de formar do indivíduo. Essa formação é entendida, como afirma Greenblatt, tanto como uma imposição física sobre uma pessoa quanto uma delineação menos aparente, encontrada em um determinado modo de pensar e comportar-se.
A essa última concepção de fashion o modelo mais recorrente é encontrado na figura de Cristo. Assim observamos quando Tyndale, na tradução de uma epístola aos Romanos, associa fashion à figura de Jesus ao dizer: “he fashioned unto the shape of his son”, ou o Arcebispo Sandys, na sua tradução de Geneva de 1557 do Novo Testamento, de modo parecido declara: “[he] was disfigured to fashion us, he died for our life”.


O texto de Thomas Greene, A Flexibilidade Do Self Na Literatura Do Renascimento, tem como objetivo falar da liberdade e autodeterminação humanas na literatura do Renascimento. Greene nos mostra que as manifestações artísticas e intelectuais do período renascentista apresentavam uma visão sobre o homem muito diferente daquela dos períodos anteriores. Antes, o homem estava fadado a ocupar uma única posição na sociedade. Se servo, sempre servo; se nobre, sempre nobre.
É verdade que desde antes do Renascimento, a possibilidade de subverter essa determinação social já existia, mesmo que bastante timidamente. Porém, é com o Renascimento que a possibilidade de o homem se autodeterminar ganha força. A citação de Pico Della Mirandola (um filósofo humanista do Renascimento Italiano), presente na obra Discurso Sobre a Dignidade do Homem, é pertinente:

[...] nem celeste nem terreno, mortal ou imortal, de modo que assim, tu, por ti mesmo, qual o modelador e escultor da própria imagem, segundo tua preferência e, por conseguinte, para tua glória, possas retratar a forma que gostarias de ostentar. Poderás descer ao nível dos seres baixos e embrutecidos; poderás, ao invés, por livre escolha de tua alma, subir aos patamares superiores, que são divinos.

É, também, importante ressaltar que a doutrina da indeterminação da natureza do homem choca-se com uma outra doutrina: a da defesa da inalterabilidade da natureza humana. Esta última é comum a Aristóteles e os Escolásticos.
Para explicar-nos como se dá essa nova concepção da performance humana na sociedade, Greene traz o conceito de “Flexibilidade”. “Flexibilidade” está, basicamente, ligado à ideia de ser capaz de “esculpir” sua “própria imagem”, a possibilidade de reconfigurar seu próprio eu.

[1] GREENBLATT, S. Renaissance self-fashioning: from more to Shakespeare. Chicago & London: The University of Chicago Press, 1980.

GREENE, T. A flexibilidade do self na literatura do Renascimento. In: Histórias & Perspectivas. N. 32. Uberlândia: EDUFU, 2005.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Conceitos de renascimento

Renascimento é o nome geralmente atribuído ao período de transição entre a Idade Média e a Modernidade. Esse termo foi cunhado inicialmente pelos próprios homens letrados do período, e uma das possíveis definições de Renascimento é a encontrada no dicionário Merriam-Webster, que define o Renascimento como “o período na história europeia entre os séculos XIV e XVII quando houve um novo interesse pela ciência e pela arte e literatura antiga, especialmente na Itália.”[i] Tal acepção destaca a Itália, local também conhecido como o “berço do Renascimento”, como centro da produção cultural e científica na época. Entretanto, conforme essa mesma definição ressalta, o Renascimento foi um período decisivo para a história da Europa como um todo. Apesar de a arte renascentista italiana ser a mais icônica e relembrada, o intercâmbio entre as diferentes regiões da Europa era intenso na época, diversos lugares do continente tiveram produções científicas e artísticas no período renascentista.
                Da mesma forma que o Renascimento não ocorreu exclusivamente na Itália, ele não se caracteriza apenas pelo crescente interesse pelas artes e ciências. Existem diversas teorias e acepções que abordam o período a partir de diferentes perspectivas, e por essa razão, esta época também passou a ser chamada alternativamente de “Início da era moderna” (”Early modern period” em inglês). Essa expressão, segundo o professor e pesquisador britânico Terence Cave, é mais abrangente e “cria novas perspectivas de diversos tipos de história intelectual, cultural e social”[ii], indo além da definição do Renascimento que, como já foi mencionado anteriormente, geralmente se resume a questões culturais. Nas palavras de Cave, o termo “Renascimento” representa a “construção de uma cultura elitista ao invés de um fenômeno histórico global”[iii]. Já “Início da era moderna” corresponde a “perspectivas históricas que podem ser consideradas como programaticamente igualitárias”[iv], na medida em que não focam apenas na elite, no cânone, no padrão. Além disso, segundo Cave, o termo “Início da era moderna” estabelece uma conexão do período com a era moderna em si, permitindo estudá-lo do ponto de vista da modernidade. Em suas palavras, “investigar o início da era moderna é inquirir as raízes, as origens ostensivas, da nossa própria ‘modernidade’, e assim submeter as ideologias modernas, através de um laço histórico, a uma crítica radical.”[v]
Além da associação do período com a Itália e com as artes, existiram outros acontecimentos que os estudiosos do período conhecido como Renascimento ou “Início da era moderna” costumam destacar como transformações que caracterizaram o momento histórico na Europa. A invenção da imprensa, por exemplo, proporcionou a disseminação do conhecimento e de notícias, e, consequentemente, a autonomia de pessoas que antes dependiam daqueles que possuíam acesso aos originais. Outros dois fatores decisivos na transição entre a Idade Média e a modernidade foram a nova organização política do poder, com a formação dos Estados absolutistas e a reforma. Esses dois fatores romperam com a antiga organização social e com antigas formas de poder, colocando o indivíduo em evidência ao exaltar a figura de um Rei ao e descentralizar a comunicação com o divino, dando às pessoas a possibilidade de fazerem isso por si mesmas. Além disso, o humanismo, que pode ser caracterizado como uma nova atitude em relação à antiguidade clássica, retomando seus conhecimentos e seus valores como a valorização do ser humano, também costuma ser apontado como relevante na transição entre a Idade Média e a Era Moderna.
Mas será que esses acontecimentos realmente representaram uma ruptura com a Idade Média como se costuma dizer? Será que houve outros fatores que marcaram ou proporcionaram uma mudança de atitude do homem e de organização da sociedade europeia em geral?  Porque será que, no senso comum, o período conhecido como Renascimento é tão fortemente associado a uma ruptura completa com a Idade Média em direção à modernidade, com a Itália e com um grande desenvolvimento cultural? Será que é assim mesmo? Será que não há nada além disso?
Muito do que se diz sobre o Renascimento até hoje está relacionado de alguma forma com o trabalho do historiador suíço especializado em arte e cultura Jacob Burckhardt (1818-1879), que escreveu em 1860 um livro chamado A cultura do Renascimento na Itália (tradução de Sérgio Tellaroli, 1991). Esse livro é dividido em seis grandes capítulos: “O Estado como obra de arte”, “O desenvolvimento do indivíduo”, “O redespertar da antiguidade”, “O descobrimento do mundo e do homem”, “A sociabilidade e as festividades” e “Moral e religião”.  Ao longo desses capítulos, Burckhardt explora diversos fatos que considerou característicos do período, entre os quais os já citados Estados Absolutistas, o humanismo, as mudanças na relação das pessoas com a religião, o resgate dos valores da antiguidade clássica e principalmente o desenvolvimento artístico-cultural, focando especialmente nas esferas sociais da nobreza, do clero, da burguesia e dos artistas. Além disso, Burckhardt também apresentou em seu livro a ideia da “descoberta do indivíduo” no período do Renascimento, que continua sendo debatida até os dias atuais.
 Segundo Burckhardt,
“Na Idade Média, ambas as faces da consciência – aquela voltada para o mundo exterior e a outra, voltada para o interior do próprio homem – jaziam, sonhando ou em estado de semivigília, como que envoltas por um véu comum. De fé, de uma prevenção infantil e de ilusão tecera-se esse véu, através do qual se viam o mundo e a história com uma coloração extraordinária; o homem reconhecia-se a si próprio apenas como raça, povo, partido, corporação, família ou sob qualquer outra das demais formas do coletivo. Na Itália, pela primeira vez, tal véu dispersa-se ao vento; desperta ali uma contemplação e um tratamento objetivo do Estado e de todas as coisas desse mundo. Paralelamente a isso, no entanto, ergue-se também, na plenitude de seus poderes, o subjetivo: o homem torna-se um indivíduo espiritual e se reconhece como tal.”[vi]

Para ele, esse é um fenômeno quase que exclusivamente italiano, que, “à mesma época, não tem paralelo no Norte, ou não se revela de maneira semelhante.”[vii] Assim, ao longo de seu livro, Burckhardt recorre a exemplos de artistas italianos canônicos, como Dante, por exemplo. Segundo ele, “o grandioso poema de Dante teria sido impossível em qualquer outra parte, simplesmente pelo fato de que o restante da Europa encontrava-se ainda sob aquele encanto da raça; para a Itália, o sublime poeta tornou-se, já pela plenitude de sua individualidade, o arauto nacional por excelência de seu tempo.”[viii]
Vemos, então, que a hipótese de Burckhardt sobre o Renascimento e a “descoberta do indivíduo” se refere principalmente à Itália e se baseia em seu cânone artístico e cultural. Essa hipótese serviu como ponto de partida para os estudos de diversos outros pesquisadores do Renascimento na atualidade. Em Inventing Sincerity, Refashioning Prudence : The Discovery of the Individual in Renaissance Europe (1997), o historiador estadunidense John Martin afirma que a tese de Burckhardt “continua a estimular o que há de mais criativo entre os estudos acadêmicos sobre o fim da Idade média e o início da história moderna da Europa.”[ix] Alguns desses estudos vieram a contribuir com a hipótese de Martin sobre a “ascensão do indivíduo”, enquanto outras vieram a acrescentar detalhes ou até mesmo refutá-la. Conforme afirma Martin, as ideias de Burckhardt têm sido alvo de críticas por analisarem a época como se houvesse uma homogeneidade social e cultural, de uma perspectiva elitista, além de considerar o indivíduo como algo externo e independente da história, de uma forma essencialista. Entretanto, como segue dizendo Martin, “modelos filosóficos, antropológicos e literários recentes do indivíduo transformaram nosso entendimento da pessoa humana de tal forma que não é mais possível basear nossa análise das origens do individualismo nas suposições humanísticas tradicionais que Burckhardt tomou como certas.”[x] Segundo Martin, alguns estudiosos se opõem, inclusive, à ideia da “ascensão do indivíduo”, preferindo focar seus estudos na experiência coletiva. Por isso, ele apresenta algumas visões alternativas à hipótese da “descoberta do indivíduo” do historiador suíço, levantadas por estudiosos do que veio a ser chamado de “Novo historicismo”, para os quais o individualismo seria não algo inerente ao ser humano, mas sim uma construção social.
Estudamos algumas dessas teorias e as discutiremos com mais detalhes em breve. Uma das teorias que abordaremos é a de Thomas Greene, que em 1968 escreveu “The Flexibility of the Self in Renaissance Literature. Nesse texto, Greene aborda a questão da flexibilidade da capacidade do ser humano de moldar o seu “eu” como uma característica do período do Renascimento. Outra teoria alternativa à hipótese de Burckhardt sobre a “descoberta do indivíduo” é a do “Renaissance self-fashioning”, do historiador literário estadunidense Stephen Greenblatt, proposta em seu livro de mesmo nome, de 1980. Para Greenblatt, existiu no Renascimento a possibilidade do homem de modelar a sua personalidade, mas esse ato não era completamente livre, uma vez que existiam poderes como o Estado e  Igreja que controlavam a autonomia das pessoas. Estudaremos também a proposta do próprio John Martin em Inventing Sincerity, Refashioning Prudence : The Discovery of the Individual in Renaissance Europe , de 1997, texto no qual ele fala sobre como a mudança dos conceitos de sinceridade e prudência influenciaram a individualização do homem no Renascimento. Para observar tais conceitos de acordo com a proposta de Martin, discutiremos o poema My Mind to Me a Kingdom Is, de Sir Edward Dyer, poeta inglês do século XVI.




[i] No original em inglês “the period of European history between the 14th and 17th centuries when there was a new interest in science and in ancient art and literature especially in Italy”. Disponível em <http://www.merriam-webster.com/dictionary/renaissance>, acesso em 21/11/2016.
[ii] No original em ingles “creating new perspectives for various kinds of intellectual, cultural and social history”. (CAVE, 2006, p. 12). Disponível em <https://muse.jhu.edu/article/198408/pdf>, acesso em 21/11/2016.
[iii] No original em inglês “a construction of elite culture rather than a global historical phenomenon”. (CAVE, 2006, p. 12). Disponível em <https://muse.jhu.edu/article/198408/pdf>, acesso em 21/11/2016.
[iv] No original em inglês “historical perspectives which may be considered as programmatically egalitarian”. (CAVE, 2006, p. 12). Disponível em <https://muse.jhu.edu/article/198408/pdf>, acesso em 21/11/2016.
[v] No original em inglês “To investigate the early modern period is to enquire after the roots, the ostensible origins, of our own ‘modernity’, and thus to subject modern ideologies, via a historical loop, to a radical critique”. (CAVE, 2006, p. 13). Disponível em <https://muse.jhu.edu/article/198408/pdf>, acesso em 21/11/2016.
[vi] BURCKHARD, Jacob. A Cultura do Renascimento na Itália. Trad. de Sérgio Tellaroli. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. P. 145
[vii] BURCKHARD, Jacob. A Cultura do Renascimento na Itália. Trad. de Sérgio Tellaroli. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. P. 146
[viii] BURCKHARD, Jacob. A Cultura do Renascimento na Itália. Trad. de Sérgio Tellaroli. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. P. 146
[ix] No original em inglês “[…] Continues to stimulate much of the most creative scholarship in late medieval and early modern European history.” (MARTIN, 2000, p. 12).
[x] No original em inglês “recent philosophiical, anthropological and literary models of the individual have so transformed our understanding of the human person that it is no longer possible to base our analysis of the origins of the individualism on the traditional humanistic assumptions that Burckhardt take as given” (MARTIN, 2000, p. 12).

Auto retrato de Holbein, o Jovem (1542-1543)


Auto retrato de Holbein, o Jovem (1542-1543)

Segundo Johnson (2005)
[1], embora a existência dos retratos date muito antes do período conhecido como Renascença, foi somente no início do século XV que os retratos deixaram de representar exclusivamente a realeza, o clero e grandes nobres para representar outras categorias da sociedade, como importantes comerciantes, mulheres e até mesmo artistas. A exemplo dessa mudança, o auto retrato de Hans Holbein acima, cuja precisão de detalhes, além de evidenciar a qualidade artística do pintor, indica uma preocupação, retomada no Renascimento, pela fisiologia do indivíduo. Holbein, renomado pintor da corte de Henrique VIII, da dinastia Tudor, tendo o monarca como seu principal mecenas; foi especialista em retratos, o que era muito comum à época, tendo desenhado além de retratos xilogravuras, pedrarias e joias. 
Whitehall Mural Cartoon- Hans Holbein, 1537
            A obra intitulada The Whitehall Mural Cartoon foi produzida por Hans Holbein em 1537, cujo ano de produção foi marcado pelo próprio pintor, como é possível perceber no canto superior direito da imagem. Se atentarmos para os retratos de Henrique VIII produzidos posteriormente, é clara a utilização da obra de 1537 como modelo para os retratos posteriores. Sendo assim, sequer é necessário que prestemos atenção às características fisiológicas do indivíduo; a postura, os trajes, as luvas na mão esquerda, um símbolo de nobreza, e a espada na mão direita , um símbolo de bravura, nos levam imediatamente a identificar a figura de Henrique VIII.

   King Henry VIII, 1537-1562

King Henry VIII, 1537-1557

King Henry VIII, after 1560

King Henry VIII, 1550-1599

King Henry VIII, 1560-1573  

King Henry VIII, 1567
              


    Embora tenha havido no Renascimento uma explosão na produção de retratos, tanto de monarcas, nobres e clérigos quanto das categorias já mencionadas aqui; há neste período uma diferença crucial no que concerne ao modo como o indivíduo é retratado. Se analisarmos os retratos produzidos durante a idade média é possível perceber uma grande homogeneidade fisionômica; não há uma precisão semelhante a do Renascimento em relação às características fisiológicas ou psicológicas do indivíduo, tampouco a presença de elementos que auxiliem na identificação da identidade do retratado. Se compararmos alguns retratos de períodos anteriores ao Renascimento é possível perceber semelhanças muito intensas que tornam quase impossível distinguí-los se aproximarmos os rostos. Nas duas imagens abaixo, há consecutivamente as representações de Santo Estevão e de Maria, no entanto, tanto a postura quanto o ângulo do rosto e os traços de ambas as figuras formam uma homogeneidade que permite confundi-los, sendo, portanto a diferenciação feita através das vestes e cores.
    
       Já no Renascimento os indivíduos além de serem retratados com rigorosa precisão fisiológica, são também envolvidos por uma variedade de símbolos que ajudam a identificar o indivíduo representado. Segundo Johnson (2005), a habilidade de representar uma imagem ou objeto, assim como sua função e iconografia eram tão apreciadas quanto o caráter estético da obra de arte durante o Renascimento. A exemplo disso, podemos observar abaixo dois retratos produzidos por Hans Holbein:



Erasmus 1523 Hans Holbein, O Jovem
 Segundo o historiador David Starkey, em comentário disponível em The NationalGallery, este retrato de Erasmo marca o inicio, de fato, do retrato realista além de representar a invenção da própria personalidade considerando o fato de neste período a pintura ser composta não só de imagens,mas também de palavras que ora fazem relação com o retratado, ora expõem as idéias do artista. Neste caso, a pintura de Erasmo é apresenta objetos que simbolizam os interesses e a profissão do humanista, como sua tradução do Novo Testamento para o latim em que Erasmo se apóia; no mesmo objeto há uma frase que evidencia a qualidade artística de Holbein “ I am Johannes Holbein, whom it is easier to denigrate than to emulate.” (Tradução para o inglês disponível em The National Gallery)


A Lady with a Squirrel and a Starling 1526-8, Hans Holbein
            Este retrato, provavelmente pintado durante a primeira visita de Holbein à Inglaterra, segundo o website The National Gallery apresenta o retrato de uma mulher muito provavelmente, uma babá chamada Anne Lovell, cuja família tinha como símbolo o esquilo, retratado na imagem junto à Anne, supostamente, e a um estorninho.


Referências
[1]Johnson, Geraldine A. Renaissance art: a very short introduction. Vol. 129. Oxford University Press, 2005.